segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sem patrocínio, a atleta luta para se manter no esporte.

                  Benta Antônia da Silva-velocista que faz a diferença na Cidade Tiradentes.



Benta Antônia Silva (49), moradora da Cidade Tiradentes, zona leste, começou no atletismo em Rolândia interior do Paraná onde nasceu, aos 12 anos. Descoberta pelo treinador e professor de educação física Aristides Junqueira que a lançou para as primeiras competições um ano após os treinos. Foi campeã quatro vezes consecutivas na Cidade de Maringá. Ainda adolescente, perdeu seus pais e junto com sua irmã mais velha que também era atleta, resolveu vir para São Paulo e foram morar no bairro de Itaquera com seu irmão. Em 1982 começou a treinar no II Batalhão. “Foi um período muito difícil, pois saia de casa cedinho e atravessava São Paulo de ônibus para treinar em Pinheiros no II Batalhão”, disse Benta. Ela conta que sua irmã é quem a incentivava, porém, em 1985 sua irmã Bernadete é atropelada e obrigada abandonar o atletismo devido problemas sérios que, afetaram suas pernas e bacia, e hoje ela depende de muletas. Chocada com o ocorrido, Benta abandona o atletismo já que o apoio maior vinha da irmã. “Sem ela, o sonho de me tornar uma atleta profissional e participar de campeonatos não tem mais sentido”, desabafou Benta. Como o esporte fazia parte da sua vida, em 1986 teve uma participação rápida como jogadora de futebol pelo Palmeiras não permanecendo devido ao apelo da irmã, para que voltasse a correr. “Você precisa voltar para as pistas porque lá que é o seu lugar”, pediu Bernadete. O apoio da família e dos amigos do GCM-Guarda Civil Metropolitana, é que tem ajudado a atleta nas conquistas que vêm realizando no Brasil e exterior e com orgulho ela exibe as três medalhas de bronze que conquistou no XIV Campeonato Sulamericano na cidade de Rosário na Argentina, nos dias 22 e 29 de novembro de 2008. Sem patrocínio, Benta conta que teve de vender o computador do marido para viajar senão ficaria fora deste evento. “Minha família tem me apoiado muito, sem eles nada disso seria possível”, ressaltou a atleta. Das cinco modalidades concorridas, (100, 200 metros rasos, salto em distância, revezamento 4x100 e 4x400) além das medalhas, conseguiu o índice de pontos para participar das Olimpíadas de Sidney (categoria máster), na Austrália em 2009, todavia não pode ir por questões de ordem financeira. Por meio de incentivo da GCM, ela treina três vezes por semana, terça, quinta e sexta-feira da 8h ás 12h no CT do Ibirapuera e nos dias de folga treina no bairro onde mora. A atleta coleciona medalhas de vários campeonatos. No 40º campeonato estadual, a velocista trouxe para casa quatro medalhas de ouro(revezamento 4x100, 4x400, 100 metros rasos e arremesso de peso), além de duas de prata (200 metros rasos e salto a distância) e uma de bronze (400 metros rasos). Garantiu medalhas também no 7º Torneio da Amizade, em Ribeirão Preto, trouxe quatro medalhas de ouro. No 8º Torneio da UFV de Atletismo de Veteranos, em Viçosa, Minas Gerais, garantiu quatro medalhas de ouro e no Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, ficou com ouro nos 100 metros rasos e prata nos 200 metros rasos.

Recentemente conquistou mais de seis medalhas de ouro no Campeonato de Atletismo Máster, realizado nos dias 6 e 7 últimos. Participaram mais de 250 atletas de todo Estado de São Paulo. Benta alcançou 4.34 metros no salto em distância, tirando o recorde da atleta do Paraná, Maria Rostirolla, obtido em 2008. Sua meta era participar do Campeonato que começa amanhã no Chile “Eu fiquei muito triste e chorei muito por não ter condições financeiras de participar do Campeonato Sulamericano que acontece no Chile nos dias 23 e 24 agora, por falta de patrocínio, mas minha treinadora Wanda dos Santos, me tranquilizou e me pediu para eu me dedicar somente aos treinos por enquanto e ano que vem a gente corre atrás”, concluiu Benta. A história da velocista não é diferente de muitos atletas brasileiros que devido às dificuldades financeiras e falta de incentivo, deixam de conquistar títulos de grande expressão como também participar de campeonatos importantes como as Olimpíadas. Atualmente, Benta corre pela ANASP (Associação Nissei de Atletismo de São Paulo) e é a única negra da equipe – que tem cerca de cem pessoas de 30 a 95 anos. Apesar da dificuldade em arrumar patrocínio, ela continua lutando. “Meu maior orgulho é levar o nome do Brasil para o exterior e com a conquista de medalhas a emoção é ainda maior. Enquanto eu respirar, vou continuar correndo e meu maior sonho é algum dia ganhar um Campeonato Mundial com fé em Deus”, finalizou.

Benta mostra com orgulho as centenas de medalhas que já ganhou em vários campeonatos nacionais e internacionais.

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