sábado, 19 de março de 2016

Manifestação contra impeachment na Paulista teve como alvo principal, Juiz Sérgio Moro.

Por Marcos Santos

A manifestação em apoio ao governo Dilma realizada na tarde de ontem na Avenida Paulista em São Paulo reuniu 250 mil pessoas segundo a CUT. O evento começou por volta da 16h00 e ocupou onze quarteirões desde o metrô Consolação até a Brigadeiro Luiz Antonio cujas palavras de ordem foram: "Não vai ter golpe" e "Sérgio Moro, inimigo do povo".
Foto Marcos Santos
Juiz Sérgio Moro e Rede Globo são hostilizados na Avenida Paulista.

Foto Marcos Santos
Manifestantes aglomerados em frente ao vão do MASP.

Diferentemente da manifestação realizada no dia 13 de maio, domingo último em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e resgate da democracia, o grito que ecoou  foi: "não vai ter golpe", "fora Cunha" e "fora Moro". O vice-presidente da república-Michel Temer também foi muito hostilizado pelos apoiadores de Lula e Dilma e acusado de golpista e taxado de traidor. Num discurso totalmente desalinhado com os interesses da grande massa de brasileiros que lotaram as ruas brasileiras na semana passada, líderes sindicais ligados a CUT preferiram acusar Sérgio Moro de criminoso por ter autorizado os grampos telefônicos e divulgado à imprensa. A Rede Globo também foi muito criticada e acusada golpista e manipuladora das grandes massas. 

Num discurso bastante inflamado a deputada estadual Leci Brandão-PCdoB-SP afirmou que não vai ter golpe e disse que a  mídia está promovendo um grande espetáculo circense e estimulando a intolerância social. Já o Lula preferiu um discurso mais populista e não apresentou nenhum plano efetivo e de curto prazo para tirar o Brasil dessa crise econômica aguda, caso consiga derrubar as dezenas de liminares que suspendem sua posse de ministro da Casa Civil nomeado pela presidente Dilma na quinta-feira. 

O ministro do STF- Gilmar Mendes também entrou com liminar contra a posse do sindicalista e segundo a revista Época devolveu as investigação ao juiz Sérgio Moro.

Fora de foco

Outra característica marcante no movimento de ontem, além do tema abordado estar totalmente desalinhado com os reais motivos que colocaram o Brasil nessa crise profunda e generalizada,  foi o uso excessivo de bebida alcoólica, maconha e a linguagem anti republicana e truculenta recheada de palavrões e ameaças a quem pense contrário aos ideais petistas. Percebeu-se, portanto, o quanto o Brasil está dividido em dois pensamentos, por um lado ainda há, uma expressiva parcela da sociedade que aceita e se conforma com o caos político-social e econômico como coisa normal e, sem nenhum espírito critico democrático, questiona as evidências dos crimes cometidos por Luiz Inácio Lula da Silva e seus aliados que surgem diariamente e que comprovam, que o país entrou num retrocesso imensurável e sem perspectivas de recuperação a curto e médio prazos. Por outro lado, comprovado no ato do dia 13 de maio, há uma esmagadora maioria que clama por representantes políticos sérios, éticos, honestos e acima de tudo, que respeitem e cumpram a Constituição Federal independente de partido, mas, com comprometimento na igualdade na distribuição de renda e manutenção do crescimento econômico. 

De acordo com matéria publicada no site da agência de notícias BBC, o Brasil representa  um terço do Produto Interno Bruto (PIB) dos países do Mercosul, exceto Venezuela e por causa da estagnação e queda vertiginosa do PIB, está afundando a América Latina, sobretudo, pelas indicações de retração de 3% prevista pelo governo Dilma, sinalizando, que até dezembro deste ano o número de desempregados, estagnação econômica e fuga de capital estrangeiro tendem a piorar. Portanto, com essas notícias desanimadoras conclui-se que o foco do movimento de ontem foi desviado pelo seu principal líder, Luiz Inácio Lula da Silva que preferiu no seu discurso improvisado, eximir o PT e a Dilma das irresponsabilidades administrativas que levaram e estão levando cada vez mais o país para o fundo do poço. 

Apesar da maciça presença de representantes de sindicatos na avenida Paulista, não se ouviu falar em nenhum momento em algum plano que possa recuperar o emprego de milhões de brasileiros, como também, para recuperação da produção industrial, aquecimento no comércio; no setor de serviços, e recuperação da economia, mas em vez disso, o foco foi desviado para o caso dos grampos telefônicos autorizados por Moro, onde as interceptações (considerado ato legal por vários juristas) segundo a ótica do PT, são  mais graves do que o verdadeiro teor dos diálogos que comprovam a tentativa do Lula de fugir das investigações da Operação Lava Jato e da convulsão social instalada. 

                                                                          Foto Marcos Santos
                                             Manifestantes em frente ao caminhão do Movimento Frente Popular

Foto Marcos Santos
Manifestantes carregam faixam acusando Michel Temer de golpista.



                                                     Vídeo mostra o tom do discurso de líderes ligados a Lula, Dilma e PT.



         

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